24 de janeiro de 2011

Conhecer o outro em sua plenitude e ainda assim amá-lo mais...
Retirar as pétalas que envolvem seu ser, responsáveis por toda beleza exteriorizada e ir ao fundo máximo da sua existência... Ter coragem o bastante para se certificar que o realmente belo, também o é em seu detalhe mais ínfimo.
Então amar aquela carinha amassada pela manhã e jurar que seus olhos castanhos são os castanhos mais lindos que já viu em sua vida. Acreditar que sua boca foi um desenho digno dos grandes artistas e ser completamente apaixonada por todas aquelas sardinhas que ele tanto odeia.
Amar também seu humor oscilante, suas risadas mais espontâneas e aquele sorriso tímido que ele dá quando você diz alguma coisa boba, só pra não lhe deixar sem graça. Amar a expressão do seu rosto quando não entende as piadas, ou as frases inocentemente tolas que diz sem perceber. Rir da sua distração e rir mais ainda quando ele ri junto com você.
Achar a teimosia que o faz lavar a cabeça a noite e se resfriar e o orgulho que quase sempre o impede de demonstrar fraqueza, os maiores do mundo e mesmo assim amá-lo também por isso. Achar graça no bico que faz diante da tentativa de impor uma vontade e achá-lo docilmente infantil quando se presta a pirraças como uma criança faria.
Se irritar eventualmente e se deixar render no meio de uma discussão só porque sentiu falta do sorriso dele e não suporta a possibilidade de lhe arrancar uma lágrima.
Abraçá-lo sempre como se fosse o último abraço dado e não perder nunca a paixão das primeiras semanas de namoro.
Se encantar com um fio de cabelo fora do lugar, conhecer cada marquinha do seu corpo e decorar a ordem das suas cicatrizes...
A noite, esperar um pouco pra pegar no sono só pra vê-lo sonhar antes de você e ter a certeza que ele não vai chutar o edredom e passar frio, depois acordar no meio da madrugada pra dar-lhe um beijo na testa e repetir que o ama, ainda que ele esteja sonolento demais pra se lembrar pela manhã... Despertar algum tempo depois e rolar na cama envolta em um medo bobo, quase infantil, que ele não esteja mais ali, até que seu corpo o encontra e se unem, como se fossem peças soltas de um quebra cabeça cujo encaixe é perfeito.
Lhe dar as mãos sempre que possível e olhar nos seus olhos até que sorriam em cumplicidade.
Encontrar em sua companhia o ápice da felicidade e ter a certeza plena que não há lugar no mundo que a substitua.
Por fim, conhecer seus defeitos e aceitá-los entendendo-o por isso, com a mesma compreensão que ele tem entendido os seus, e então descobrir que é nesse sangue inocente derramado em meio as suas divergências que se conhece o amor tal qual é: Humano, sublime, urgente e crescente.

10 de dezembro de 2009


 Eu posso ver  todo o medo estampado nos seus olhos e nem toda sua simulação de segurança o faria desaparecer dali.  Você teme o desconhecido, a queda, o abismo.. Enquanto o que eu mais quero é mergulhar logo nisso, descobrir o que há por trás dessas cortinas escuras, abrir as janelas e deixar toda luz entrar...
Quanto ao amanhã, não me importa, falta muito e meu tempo é esse, é agora.

23 de outubro de 2009

A falta que a falta faz.


De repente, saudade.
Uma precisão absoluta, um desses sentimentos urgentes que se sente poucas vezes na vida.
As lembranças que passam como filme, congelam sorrisos, abraços, beijos e aceleram as nossas tolas discussões... Então com uma rapidez impressionante você atinge cada centímetro do meu corpo, cada gota do meu sangue e cada um dos meus anticorpos se rende ao seu doce encanto.
No meu cérebro você é como um alucinógeno e começo a notar seu rosto por toda parte, seu cheiro se espalha pelos corredores e então você se deita na minha cama e muda o canal da minha TV, as estações do meu rádio...
Depois você se joga no chão , me lança seu melhor sorriso e eu me atiro nos seus braços, faço do meu corpo seu único abrigo. Somos só nós e o nosso doce e jovem amor se espalhando por cada metro quadrado da nossa casinha imaginária...
E as canções que eu ouço, todas elas parecem ter sido escritas para você, até os livros que leio trazem seu nome nas entrelinhas. Onde quer que eu vá, o que quer que eu faça, tudo vai me lembrar você!
E eu nunca sei se vou suportar a próxima dose de endorfina, ou o acúmulo de oxitocina, mas meu corpo se debate na sua ausência, minha boca fica seca, minhas pernas enfraquecem, meu coração acelera e depois pára subitamente. Não posso me abster da sua próxima dose, eu vou me alimentar da sua presença e consumir cada um dos seus cheiros até que meu corpo se sacie completamente do seu e todos meus sentidos sejam normalizados. Só você me devolve o chão enquanto me tira o ar. Eu quero seu beijo mais longo, seu abraço mais apertado e seu toque repleto de desejo.
E ainda que o próximo minuto possa ser o ultimo, eu vou arriscar sempre um segundo a mais.
Vou espalhar flores pela casa, encher nossos lençois de cor, depois vou comprar um desses banquinhos e colocar na nossa varanda, só para esperar você chegar, quero te ver abrir o portão enquanto me sorri ansioso por um toque e me jogar nos seus braços para me nutrir uma vez mais do seu corpo, o meu hospedeiro.
E você não vai se perder de mim, eu não vou me perder de você.
Eu simplesmente não encontraria outra maneira de viver se não essa de te ganhar todas as manhãs, de todos esses lindos dias...




R.F.L.